Doenças Ocupacionais mais comuns e o que fazer para evitá-las?

Saúde Ocupacional - 08/11/2019

Dentro do quadro de SST temos as doenças ocupacionais mais comuns. Vamos falar um pouco sobre quais são elas e como você pode fazer para evitá-las.

Doenças Ocupacionais mais comuns e o que fazer para evitá-lasOs riscos que os trabalhadores correm ao exercer suas funções diariamente podem levar ao afastamento temporário ou definitivo do trabalho. Este é o efeito das Doenças Ocupacionais. Elas podem surgir devido a movimentos repetitivos, levantamento de peso, exposição a agentes tóxicos e até mesmo por má postura.

Segundo o Instituto de Seguridade Social (INSS), em 2017, um total de 196.754 brasileiros precisou se afastar de suas funções. O número está ligado apenas aos casos nos quais o afastamento é relacionado a problemas de saúde gerados pelo trabalho. Geralmente, as doenças laborais surgem depois de alguns anos exercendo uma função. O problema é que, neste grau da manifestação, o tratamento se torna mais difícil e é incomum que ocorra o retorno ao serviço.

Sobretudo porque a retomada do trabalho pode causar o agravamento do quadro. Acontece, no entanto, que a maioria destas doenças poderia ser evitada através de medidas preventivas simples. A primeira ação para evitar estes problemas é conhecer as principais doenças laborais. Neste artigo, citamos quais são elas e a forma de evitá-las. Confira!

Quais são as Doenças Ocupacionais mais comuns?

  • Lesão por Esforço Repetitivo (LER): Este problema ocupacional está entre os mais comuns e é causado pela execução repetitiva e prolongada de um determinado movimento. A gravidade da LER pode reduzir drasticamente a capacidade do profissional executar suas atividades, podendo levar à aposentadoria por invalidez.
  • Dorsalgias: Estes são problemas de coluna ocasionados pela força excessiva que é aplicada ao tronco do indivíduo. Geralmente associada ao levantamento de peso, a dorsalgia também pode ser o reflexo de obesidade e sedentarismo.
  • Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORTs): Os DORTs, geralmente, são causados pela má postura, mas também podem derivar de riscos ambientais, sobrecarga, repetição de movimentos e esforço físico. Alguns exemplos de distúrbios nesta categoria são bursites, mialgias, tendinites, dedo em gatilho e dores crônicas.

Problemas de visão, audição e o risco de transtornos mentais

  • Doenças da visão: os olhos são uma área especialmente vulnerável aos riscos laborais. Existem agentes químicos, mecânicos, físicos, biológicos, e até mesmo o sobre-esforço, como potenciais causas de doença. Em alguns casos, pode ocorrer catarata ocular e até mesmo cegueira. Muito comum também é que pessoas que realizam turnos à noite tenha maior propensão aos problemas de vista.
  • Surdez temporária ou definitiva: muitos trabalhadores exercem funções nas quais a exposição aos ruídos é intensa e frequente. É interessante notar que este problema, por vezes, afeta aos colaboradores que não estão diretamente ligados à função. As Doenças Ocupacionais da audição são comuns em aeroportos, construções civil, mineração e operação de maquinário.
  • Doenças ocupacionais psicossociais: de todos os exemplos listados, este é de longe o mais negligenciado. Não obstante, estas doenças podem ser a principal causa de afastamento em muitas profissões. É importante ressaltar que estes quadros abalam a saúde mental, física e social do trabalhador.

 

Dermatose Ocupacional (DO)

Quando o colaborador é exposto a agentes químicos, biológicos ou físicos, que causem problema de pele, o colaborador pode desenvolver o que é chamado de dermatose ocupacional. Dentre as mais frequentes estão as dermatites de contato, infecções de pele, ulcerações e cânceres de pele. É muito frequente em profissionais que trabalham com graxa e óleo.

O uso de Equipamento de Proteção Individual e de outras proteções, que impeçam o contato do agente causal com a pele, é o indicado para evitar a doença ocupacional. Além disso, a equipe deve se submetida a exames periódicos, bem como instruções sobre os cuidados a serem tomados.

Lesão por Esforço Repetitivo (LER)

Pessoas que realizam movimentos repetitivos, como colaboradores que passam o tempo todo em computador ou maquinário podem ser acometidas por lesões. O nome para essa doença é Lesão por Esforço Repetitivo, mas popularmente ela é mais conhecida como LER.

A pessoa acometida sente dores e não consegue render tanto quanto antes no trabalho. Em alguns casos, o profissional acaba se aposentando por invalidez. O maior problema da LER é que, no geral, é uma doença silenciosa. Quando a pessoa nota, a lesão já está muito avançada.

Para prevenir essas doenças ocupacionais é necessário oferecer equipamentos ergonômicos para a equipe, bem como realizar a ginástica laboral durante o trabalho.

Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORTs)

Quem trabalha e não tem cuidado com a postura pode desenvolver o que é chamado de Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho. O risco dessas doenças ocupacionais é maior para atividades que exercem muito esforço físico, bem como as que fazem com que o colaborador faça movimentos repetitivos.

Dentre os problemas que podem ser enquadrados como Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho:

  • bursites,
  • dedo em gatilho,
  • mialgias,
  • dores crônicas
  • tendinites.

Doenças Ocupacionais mais comuns e o que fazer para evitá-las

Além de desconforto para o trabalhador, esses problemas de saúde também fazem com o que o profissional precise se afastar do trabalho, de acordo com a recomendação médica. Dessa forma, o melhor a ser feito é evitar.

Para prevenir, os profissionais devem ser orientados, quanto a postura que precisam ter enquanto trabalham. Além disso, a empresa precisa reduzir os riscos do desenvolvimento dos Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho, se preocupando com ergonomia, equipamento de proteção coletiva, como os tapetes de borracha, que oferece amortecimento ao pisar, entre outros.
Incentivar a alimentação saudável e a prática e exercícios também é importante.

Doenças da visão

Dificuldades para ler ou enxergar, visão embaçada, conjuntivite, dores de cabeça e até cegueira, podem estar ligados ao trabalho. Isso varia muito de acordo com o risco ao qual o profissional está exposto. Seja ele mecânicos, físicos, químicos ou biológicos, é preciso ter cuidado.

Profissionais da saúde que atuam em pronto atendimento, por exemplo, estão sempre em contato com pessoas doentes. Muitas vezes, indivíduos com conjuntivite procuram atendimento médico. Esse grupo corre grande risco de ser acometido com uma das doenças da visão. A prevenção se dá com o uso de luvas lavagem de mãos, entre outros.

Já uma pessoa que trabalha com solda pode ter uma lesão ocular resultante de uma faísca. Por isso, precisa usar sempre os óculos de proteção. Também para quem trabalha aparando grama, seja com o cortador ou não. O risco de uma pedra ou até de um pedaço de grama bater nos olhos e ferir é grande. Por isso, os óculos devem ser sempre usados.

Dessa forma, é importante que o programa de saúde do trabalhador também fique atento às doenças da visão, para garantir a saúde da equipe e evitar as doenças dos olhos.

Surdez

Quando um profissional é submetido a barulho intenso ele tem mais chance de desenvolver problemas de audição. Em alguns casos, o profissional chega a ficar surdo e isso também é considerada uma doença resultante da atividade laboral.

Esse tipo de doença é frequente na mineração, operação de máquinas e equipamentos, tratoristas, trabalhador rural que atua com ordenhadeira mecânica, entre outros. Para evitar, é preciso usar os Equipamentos de Proteção Individual. Há alguns tipos de protetores auriculares que ajudam a evitar as doenças ligadas à audição.

Além disso, é importante focar em equipamentos de proteção coletiva, que isolem áreas de muito barulho dos colaboradores.

Antracose pulmonar

Como o nome já diz, a antracose pulmonar acomete o pulmão ,causando a lesão. É mais frequente em trabalhadores que são expostos à poeira, como na mineração ou carvoarias.

A prevenção é feita com o uso de EPI, como o respirador facial adequado. Além disso, a equipe deve passar por avaliação médica regular, para evitar danos maiores à saúde.

Doenças ocupacionais psicossociais

Causam afastamento do trabalho e podem ter diversas causas como:

  • insegurança decorrente da situação de trabalho;
  • exigências emocionais da função;
  • intensidade do trabalho;
  • chefia despreparada;
  • alta demanda por concentração mental;
  • tempo no desempenho da função;
  • gerenciamento ineficiente;
  • medo de cometer erros;
  • jornada de trabalho exaustiva;
  • ambiente desfavorável ou muito competitivo;
  • trabalho monótono;
  • baixas chances de ascensão na carreira;
  • desmotivação.
  • assédio moral ou sexual.

A valorização do trabalhador, bem como boa condições de trabalho são essenciais para a prevenção. Além disso, em alguns casos, quando os profissionais têm muito estresse emocional, precisam ter acompanhamento ou pelo menos acesso à terapia.

Doenças secundárias

Colaboradores acometidos com doenças ocupacionais podem desenvolver também doenças secundárias, devido às condições que são submetidos no ambiente de trabalho. Dentre elas:

  • pressão alta;
  • fobias;
  • crise de ansiedade;
  • gastrite;
  • úlceras;
  • fuga do trabalho (absenteísmo);
  • dificuldade de concentração;
  • baixo desempenho;
  • fadiga;
  • depressão;
  • maior chance de acidentes no trabalho.

Silicose

Pessoas que trabalham em fábricas de cerâmica, vidro, corte de azulejo, jateamento de areia ou escavação de poços estão mais susceptíveis a inalar sílica. A sílica se acumula no pulmão e impede que o órgão funcione corretamente. Nesse caso a pessoa tem o que é chamado de silicose. Aos poucos, essa poeira acaba impedindo que a pessoa respire e, gradativamente, vai piorando.

A prevenção se dá com o uso de EPI, como as máscaras com respiradores.

Estes são os quadros mais comuns de doença ocupacional e as medidas para evitá-los. Para implantar estas ações a tecnologia de SST pode ser de grande ajuda.

O que fazer para evitá-las?

Para cada um dos exemplos citados encontraremos medidas adequadas de prevenção.

  • No caso das LER, equipamentos ergonômicos são indispensáveis. Além disto, é importante aplicar pausas à rotina de trabalho, assim como investir em práticas de ginástica laboral. O objetivo é fortalecer as articulações e músculos afetados pelo trabalho.Para evitar a dorsalgia, somamos a estas medidas, o fracionamento de cargas e a diminuição do número de repetições.
  • No caso das DORTs, a prevenção é similar, e também deve incluir orientações de boas práticas, a fim de aumentar a segurança dos colaboradores. Para a visão, deve ser aplicado um programa de vigilância da saúde do trabalhador.

Outra medida indispensável é a utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), como óculos. As medidas são iguais para evitar os quadros de surdez. A diferença, neste caso, é que também deve haver investimento na proteção coletiva, isolando as fontes de ruído. Por fim, as Doenças Ocupacionais de caráter psicossocial demandam valorização do elemento humano.

Seja no quesito de reconhecimento do trabalhador ou no esforço em proporcionar condições próprias de trabalho. Ademais, as empresas devem manter avaliação e controle de risco permanente para as doenças psicossociais.

Estes são os quadros mais comuns de doença ocupacional e as medidas para evitá-los. Para implantar estas ações a tecnologia de SST pode ser de grande ajuda.

 

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